Síndrome do impostor em psicólogos: por que até os experientes duvidam de si mesmos

Sabe aqueles dias em que você termina um atendimento e fica pensando: “Caramba, eu fiz tudo direitinho, mas lá no fundo ainda sinto que alguém vai descobrir que eu não sei de nada”? Se isso já rolou com você, relaxa: acontece com a gente também.

Por muito tempo eu acreditava que psicólogos “de verdade” eram aqueles seres perfeitos, sem falhas, sem dúvidas, sem cansaço. Tudo resolvido, tudo no lugar. Aí comecei a trabalhar de verdade, conversei com colegas, participei de grupos… e percebi: a gente é gente. Gente normal, que cansa, que duvida, que fica irritada com a burocracia, que às vezes quer chorar depois de ouvir tanto sofrimento alheio.

Recentemente, pedi para os colegas psicólogos contarem, de forma anônima, o que ainda os deixa inseguros ou exaustos no dia a dia. Vieram vinte respostas – e cada uma delas doeu de tão familiar. Aqui vão os temas que mais apareceram.

A parte “empresarial” do consultório é uma batalha à parte

Muita gente falou: “Como cobrar falta ou cancelamento de última hora sem me sentir mal?”, “Cliente reclama do valor”, “Como lotar a agenda e migrar para o particular quando eu quero que todo mundo tenha acesso?”. E tem aquela raiva das operadoras de plano de saúde – ao mesmo tempo que o coração aperta por quem depende delas para continuar o atendimento.

Isso não ensinam na faculdade. Lá a gente aprende teoria, faz estágio, mas ninguém fala como lidar com cartão de crédito, agenda lotada, reajuste de valor ou como dizer “sim, eu cobro mesmo assim” sem estragar o vínculo. E aí você se sente dividida: de um lado a empresária que precisa pagar as contas, do outro a psicóloga que não quer magoar quem está sofrendo. Mas olha só: quando você explica as regras logo no primeiro contato, a maioria entende e aceita. Respeitam o limite quando ele é claro desde o começo.

A síndrome do impostor não vai embora nem depois de 15 anos de prática

“Síndrome do impostor”, “será que eu sou boa mesmo?”, “e se tudo desabar amanhã?”. Até quem já tem uma agenda cheia há dez, quinze anos, às vezes acorda pensando: “Será que foi só sorte? Será que vão descobrir que eu não presto?”.

É normal. Nosso cérebro adora focar no pior cenário. Mas quando você vê o cliente saindo mais leve, rindo de verdade, correndo atrás de sonhos novos… isso não é sorte. É o seu trabalho. Às vezes a gente esquece de lembrar isso para si mesma.

Cansaço emocional e a eterna busca por equilíbrio

“Equilíbrio” – só essa palavra apareceu em várias respostas. Veja o que disseram:

  • “Absorvo tanta negatividade do cliente que fico esgotada no fim do dia”.
  • “É difícil dizer não e proteger meu fim de semana”.

A gente carrega muito peso emocional. Não é só conversa: é conexão real, empatia de verdade. E quando a gente chega em casa vazia ou irritada, não é frescura. É sinal de que precisa recarregar. Encontrar colegas para desabafar sem julgamento, sem aquela cobrança de “tem que ser perfeita”. Grupos de apoio, supervisão, amigos psicólogos que entendem – isso faz toda a diferença.

Aqueles momentos difíceis dentro da sessão mesmo

Houve quem escreveu sobre as dificuldades técnicas e relacionais:

  • “Não sei quando interromper o cliente que fala sem parar”.
  • “O silêncio no consultório me deixa ansiosa”.
  • “Tenho medo de não fazer a pergunta certa”.
  • “Às vezes quero dar conselho e resolver tudo logo”.

Eu também ainda travo na hora de interromper – dói cortar o fluxo. Mas com o tempo aprendi que um “Desculpa interromper, mas vamos olhar isso por outro ângulo?” ajuda muito. E pergunta “certa” não existe. Existe pergunta que abre portas – e se não abrir, tenta outra. É exploração, não prova de múltipla escolha.

E tem aquela delícia de ver o cliente progredindo e poder dizer: “Olha, você veio para trabalhar nisso aqui… como você acha que está indo?”. Muitos percebem sozinhos: “Poxa, acho que cheguei lá”. Aí é só celebrar junto e perguntar: “E agora, o que você quer fazer?”.

A gente pode se conectar – mesmo com tanto julgamento entre colegas

Um psicólogo escreveu: “O mais difícil é se sentir conectado com outros profissionais. Todo mundo julga a ética, fica difícil ser sincero”.

Eu entendo. Mas tem diferença entre violação grave e apenas visões diferentes. Será que dá para flexibilizar um pouco o “jeito único certo” e simplesmente fazer amizade? A gente já tem tanta divisão no mundo…

Se você está lendo isso e sentindo um alívio, saiba: você não está sozinha. A gente tropeça, duvida, briga com a tecnologia (oi, meu cartão de memória que morreu no meio da gravação!). Mas continua. Porque sabe que, mesmo nos dias ruins, alguém sai do consultório um pouquinho mais leve por causa do nosso trabalho.

Um abraço bem apertado. Você faz uma diferença enorme. E mesmo quando a tempestade interna está forte, você está exatamente onde precisa estar.

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