Erros Mais Comuns de Psicólogos no Atendimento: Estratégias para Evitar e Consertar

Todos nós somos humanos e, mesmo escolhendo uma profissão dedicada a auxiliar os outros a navegar por suas emoções e conflitos, não estamos imunes a cometer equívocos. O foco desta reflexão não são as infrações éticas graves ou legais — que, felizmente, são a exceção —, mas sim aquelas falhas humanas, os pequenos tropeços que qualquer profissional pode dar em algum momento da carreira. Elas são inevitáveis simplesmente porque não somos máquinas; na verdade, esses momentos podem se transformar em oportunidades incríveis de crescimento e conexão terapêutica. Vamos refletir juntas: por que esses deslizes são normais e como podemos lidar com eles de uma maneira que, ao final, fortaleça a confiança no atendimento?

Por que errar faz parte do nosso trabalho

Lembro-me bem dos tempos de faculdade, quando parecia haver uma regra implícita de que o erro era inadmissível e que precisávamos ser perfeitas o tempo todo. No entanto, a prática clínica revela outra realidade: mesmo seguindo rigorosamente as boas práticas, nós falhamos. Ao procurar dados recentes sobre os erros mais comuns cometidos por psicólogos no Brasil, notei uma escassez de literatura atualizada, encontrando apenas artigos datados (como um de 1989). Porém, ao observar fóruns e grupos de discussão de colegas, percebe-se um volume enorme de relatos similares. Isso reforça uma lição vital: errar não nos torna más profissionais; lembra-nos de que somos pessoas de carne e osso. O aspecto mais bonito disso é que a maneira como conduzimos a reparação desses erros pode ser o coração da cura no processo terapêutico. Em vez de entrar em pânico, devemos transformar o tropeço em um momento de reparo verdadeiro, encarando a situação com coragem e acolhimento.

Esquecer uma consulta: quando a paciente fica esperando

Um dos erros mais relatados em conversas de bastidores é o esquecimento de uma sessão. Imagine a cena: a paciente chega, aguarda na sala de espera ou na chamada online, e você simplesmente não aparece. Isso gera um constrangimento enorme, especialmente se o encontro for presencial e ocorrer um esbarrão nos corredores posteriormente. A paciente tem todo o direito de ficar chateada; eu mesma ficaria furiosa, embora pudesse ponderar que algo grave ocorreu. Quando isso acontecer, não ignore a situação. Peça desculpas sinceramente, mas vá além da polidez social: investigue o impacto clínico. Pergunte: "Como isso afetou você? Esse esquecimento te remeteu a alguma memória difícil do passado?". Mesmo que a resposta seja um "está tudo bem", esteja atenta à contratransferência e ao clima da sessão — muitas vezes, há uma tempestade interna. Nas consultas online, o impacto logístico é menor, mas a tensão relacional permanece. Foque na paciente, não apenas nas suas justificativas. Esse tipo de reparo sinaliza: "Eu valorizo você e quero consertar isso da forma correta".

Misturar detalhes: quando as histórias se confundem

Outro clássico da prática clínica é confundir fatos da vida de um paciente com os de outro. Antigamente, eu pensava que isso jamais aconteceria comigo. Mas, após a maternidade, com as mudanças hormonais e a carga mental cotidiana, percebi que é possível. Durante o atendimento, vem aquele pensamento: "Foi ele quem viajou para tal lugar na semana passada?", e logo percebemos que era outro paciente. Ou, pior, citamos um familiar que não existe porque mesclamos duas narrativas. Como armazenamos uma quantidade imensa de informações subjetivas, algum vazamento é inevitável. O cenário piora se o paciente, por educação, não corrige e silencia. Se perceber o erro na hora, seja honesta e transparente: "Desculpe, confundi as informações. Você poderia me contar novamente para que eu compreenda direito?". Se o erro já passou, avalie a reação e faça o reparo. Isso nos ensina e modela humildade: não somos oniscientes, mas podemos ser transparentes e reparadoras. Para o paciente, é uma chance de vivenciar que um erro não significa o fim do vínculo.

Trocar nomes: aquele momento de constrangimento

Muitas colegas relatam que chamar o paciente ou um familiar pelo nome errado é extremamente comum. Embora eu ainda não tenha trocado o nome de um paciente diretamente, já confundi nomes de parceiros ou filhos. Perguntar "E como está o seu marido, o João?" quando o nome é Pedro, pode parecer um detalhe pequeno, mas nomes carregam identidade e afeto. Nós lembramos de detalhes profundos, mas às vezes o nome escapa. Se for algo recorrente, assuma a dificuldade: "Olha, tenho dificuldade com nomes, peço que me ajude a lembrar". Se for um evento isolado, peça desculpas sinceras e investigue: "Como isso bateu em você?". A reação pode variar do riso à mágoa profunda — cheque sempre. Cuidado para não exagerar nos pedidos de perdão, transformando a sessão em um palco para a sua culpa. Esses pequenos erros mostram nossa humanidade e, paradoxalmente, podem ter força terapêutica.

Dar conselho rápido demais: a ansiedade de ajudar

Várias colegas admitem que, por vezes, a vontade de aliviar o sofrimento alheio nos faz pular etapas e dar conselhos precipitados. Isso é comum quando o paciente traz dilemas de relacionamento, como "Fico ou termino?". Internamente, pensamos: "Saia dessa, isso é destrutivo!", e a orientação escapa. Eu já cometi esse deslize: vi o sofrimento e, movida pela empatia, escorreguei na técnica. O segredo é o retorno: "Espere, tirei meu chapéu de psicóloga por um segundo porque me importo, mas vamos voltar. O que você sente que precisa agora?". É fundamental reconhecer que exageramos por zelo, mas retomar a autonomia do paciente. Outro erro é mergulhar na interpretação psicanalítica da infância quando o paciente traz uma queixa de ansiedade atual, sem antes perguntar. Melhor dizer: "Quer olhar para trás para buscar conexões ou prefere focar no agora?". Lembro-me de ter sido atendida por uma profissional que discursou 20 minutos sobre suplementação de oxitocina sem que eu pedisse — interrompi e não voltei. Erro pequeno? Corrija na hora. Erro grande de condução? É sinal para supervisão e mudança.

Tirar conclusões precipitadas: assumir sem perguntar

Acontece de fazermos suposições cedo demais sobre diagnósticos ou caminhos terapêuticos. O paciente menciona ansiedade e já assumimos: "Vamos falar da sua mãe". Sem a validação do paciente ("Você quer explorar isso?"), a terapia vira um monólogo da terapeuta. É empolgação técnica, mas sem o consentimento do paciente, torna-se um erro de aliança. Lembro de um caso onde uma psicóloga, após um relato breve, encheu a sessão de conselhos não solicitados. A paciente tentou corrigir gentilmente, mas a profissional persistiu e, posteriormente, ligou chorando para se justificar, invertendo os papéis e fazendo a paciente consolar a terapeuta. Reações desmedidas pioram o erro. Devemos avaliar: como minha suposição impactou o andamento? Não minimize, mas mantenha a postura profissional.

Como consertar: equilíbrio entre emoção e técnica

Quando o erro ocorre, a regra de ouro é: não surte e nem finja que nada aconteceu. Se perceber a falha após a consulta, respire e acalme-se — evite mensagens impulsivas de madrugada pedindo perdão. Regule suas emoções para responder com sabedoria clínica. Avalie o impacto no paciente perguntando com carinho e calibrando o tom de voz. Muitos pacientes se sentem aliviados ao verem que "você também é gente". Se houver mágoa real, admita: "Peço desculpas, foi uma falha minha". Evite justificativas longas que sobrecarregam o outro. Se o erro continuar incomodando você, leve para a supervisão ou terapia pessoal, não para a sessão do paciente. Os erros são a chance real de mostrar como se repara uma relação saudável: reconhecer, pedir desculpas e validar o sentimento alheio. Mesmo após algumas sessões, é possível retomar: "Lembra daquele momento? Quero checar se ficou alguma pendência". Isso fortalece o vínculo de forma poderosa.

No final das contas, erros aconteceram, acontecem e continuarão acontecendo. O valor clínico reside em como lidamos com eles, mantendo o paciente no centro do processo. Não se trata de buscar uma perfeição inatingível, mas de ser humana de uma maneira acolhedora e ética. Se errar, respire fundo e pergunte-se: o que essa pessoa precisa de mim agora? E siga em frente com afeto e responsabilidade.

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