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Na sua leitura clínica, quais condições tornam possível que um relacionamento com incompatibilidade de idade se sustente de forma saudável ao longo do tempo?

Na sua prática clínica, você já percebeu que relações com grande diferença de idade funcionam melhor do que aquelas socialmente “adequadas”? O que isso revela sobre nossos preconceitos e sobre o próprio conceito de maturidade emocional?

Arteterapeuta, Assistente Social, Psicanalista e Supervisor
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43715 MIRIAN CAPISTRANO
Arteterapeuta, Assistente Social, Psicanalista e Supervisor
Mirian Capistrano
Arteterapeuta, Assistente Social, Psicanalista e Supervisor
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47297 Caroline GONCALVES
Psicanalista, Psicoterapeuta, Terapeuta Cognitivo-Comportam... Mostrar mais
Caroline Goncalves Garcia Borges
Psicanalista, Psicoterapeuta, Terapeuta Cognitivo-Comportam... Mostrar mais
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Psicanalista, Psicoterapeuta, Terapeuta Cognitivo-Comportam... Mostrar mais

Na minha prática clínica, relações com grande diferença de idade aparecem, em sua maioria, como profundamente problemáticas. Não falo a partir de uma posição moral, mas da repetição estrutural que se apresenta nos casos. Muitas dessas relações se iniciaram quando a mulher ainda era menor de idade e o homem já era adulto, em alguns casos com diferenças extremas, como homens de 20 ou 21 anos envolvidos com meninas de 12 ou 13 anos. O fato de isso ainda ocorrer na atualidade é algo que, enquanto clínica, me assusta. Essa origem já marca a relação por uma assimetria difícil de ser elaborada ao longo do tempo. Há um desequilíbrio de poder, de maturidade psíquica e de lugar simbólico que tende a se cristalizar. Isso ajuda a compreender por que esses vínculos costumam ser tão difíceis, conflituosos e, na maioria das vezes, adoecedores. Na clínica, são raros os casos em que relações com grande diferença de idade se sustentam de forma realmente saudável ao longo do tempo. Quando a mulher é significativamente mais nova, ela frequentemente se torna refém da relação, não apenas financeiramente ou socialmente, mas subjetivamente. O vínculo costuma operar mais no registro da dependência do que do encontro entre dois sujeitos. É recorrente que essas mulheres, quando mais jovens, estejam em busca de uma função paterna. Muitas relatam ausência do pai, relações paternas falhas ou marcadas por violência, negligência ou abandono. Em vários processos terapêuticos, à medida que o trabalho avança, emergem também histórias de abuso na infância, o que complexifica ainda mais essa escolha amorosa. O parceiro mais velho ocupa, então, um lugar que mistura cuidado, autoridade e poder, dificultando a construção de um vínculo horizontal.
Quando a mulher é a parte mais velha da relação, observo que há, em alguns casos, maior possibilidade de sustentação, justamente porque a posição subjetiva tende a ser menos dependente. Ainda assim, não se trata da idade em si, mas da função que cada um ocupa no laço.  Essas repetições clínicas nos convidam a questionar o discurso social que romantiza a diferença de idade como sinal de maturidade emocional. Muitas vezes, o que aparece como “maturidade” encobre histórias de carência, trauma e tentativas inconscientes de reparação que, em vez de curar, tendem a se repetir no sofrimento. Na minha prática clínica, relações com grande diferença de idade aparecem, em sua maioria, como profundamente problemáticas. Não falo a partir de uma posição moral, mas da repetição estrutural que se apresenta nos casos. Muitas dessas relações se iniciaram quando a mulher ainda era menor de idade e o homem já era adulto, em alguns casos com diferenças extremas, como homens de 20 ou 21 anos envolvidos com meninas de 12 ou 13 anos. O fato de isso ainda ocorrer na atualidade é algo que, enquanto clínica, me assusta. Essa origem já marca a relação por uma assimetria difícil de ser elaborada ao longo do tempo. Há um desequilíbrio de poder, de maturidade psíquica e de lugar simbólico que tende a se cristalizar. Isso ajuda a compreender por que esses vínculos costumam ser tão difíceis, conflituosos e, na maioria das vezes, adoecedores. Na clínica, são raros os casos em que relações com grande diferença de idade se sustentam de forma realmente saudável ao longo do tempo. Quando a mulher é significativamente mais nova, ela frequentemente se torna refém da relação, não apenas financeiramente ou socialmente, mas subjetivamente. O vínculo costuma operar mais no registro da dependência do que do encontro entre dois sujeitos. É recorrente que essas mulheres, quando mais jovens, estejam em busca de uma função paterna. Muitas relatam ausência do pai, relações paternas falhas ou marcadas por violência, negligência ou abandono. Em vários processos terapêuticos, à medida que o trabalho avança, emergem também histórias de abuso na infância, o que complexifica ainda mais essa escolha amorosa. O parceiro mais velho ocupa, então, um lugar que mistura cuidado, autoridade e poder, dificultando a construção de um vínculo horizontal. Quando a mulher é a parte mais velha da relação, observo que há, em alguns casos, maior possibilidade de sustentação, justamente porque a posição subjetiva tende a ser menos dependente. Ainda assim, não se trata da idade em si, mas da função que cada um ocupa no laço. Essas repetições clínicas nos convidam a questionar o discurso social que romantiza a diferença de idade como sinal de maturidade emocional. Muitas vezes, o que aparece como “maturidade” encobre histórias de carência, trauma e tentativas inconscientes de reparação que, em vez de curar, tendem a se repetir no sofrimento.

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Autor
Arteterapeuta, Assistente Social, Psicanalista e Supervisor

            Nobre colega Caroline, Saudações colaborativa de Ética e Escuta Sensivel.

Quero agradecer, de forma muito sincera, à colega Caroline Gonçalves Garcia Borges pela contribuição tão cuidadosa, consistente e tecnicamente fundamentada neste fórum. Sua leitura clínica, ancorada na repetição estrutural observada na prática, traz elementos fundamentais para que possamos pensar a temática da diferença etária nos relacionamentos para além de idealizações sociais ou leituras moralizantes. A forma como você destaca a assimetria de poder, a cristalização de lugares subjetivos e a recorrente confusão entre vínculo amoroso e relações de dependência, especialmente quando a história do casal se inicia na menoridade, contribui enormemente para um debate ético, responsável e comprometido com a saúde psíquica. São apontamentos que nos convocam, enquanto clínicos, a sustentar um olhar atento às funções que cada sujeito ocupa no laço, e não apenas à idade cronológica em si.

Na minha experiência clínica com casais, observo também a importância de não generalizarmos o fenômeno. Desde 2018, iniciei atendimento de 11 casais em que a mulher é significativamente mais velha que o homem, e 9 dessas relações permanecem sustentadas até hoje, inclusive duas com diferenças etárias de 26 e 22 anos. Esses casos reforçam algo que você mesma pontua com precisão: o eixo central não está na idade, mas na posição subjetiva, na possibilidade de horizontalidade do vínculo e na maturidade emocional construída, e não presumida.

Debates como este revelam o quanto ainda precisamos desconstruir o discurso social que romantiza a diferença etária como sinônimo automático de maturidade, quando muitas vezes ela encobre histórias de carência, trauma e tentativas inconscientes de reparação que tendem a se repetir no sofrimento. Aproveito para ratificar o quanto seria potente e enriquecedor se mais especialistas e colegas de trabalho pudessem reservar um tempo para colaborar com os fóruns de discussão da Mentalzon. Espaços como este fortalecem o pensamento clínico, ampliam perspectivas e nos lembram de que a construção do saber se dá, sobretudo, no diálogo ético entre pares.

Todo meu respeito e gratidão pela sua escuta clínica, pela generosidade na partilha e pela seriedade com que sustenta essa discussão.

Gratidão Querida.

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