Na minha prática clínica, relações com grande diferença de idade aparecem, em sua maioria, como profundamente problemáticas. Não falo a partir de uma posição moral, mas da repetição estrutural que se apresenta nos casos. Muitas dessas relações se iniciaram quando a mulher ainda era menor de idade e o homem já era adulto, em alguns casos com diferenças extremas, como homens de 20 ou 21 anos envolvidos com meninas de 12 ou 13 anos. O fato de isso ainda ocorrer na atualidade é algo que, enquanto clínica, me assusta. Essa origem já marca a relação por uma assimetria difícil de ser elaborada ao longo do tempo. Há um desequilíbrio de poder, de maturidade psíquica e de lugar simbólico que tende a se cristalizar. Isso ajuda a compreender por que esses vínculos costumam ser tão difíceis, conflituosos e, na maioria das vezes, adoecedores. Na clínica, são raros os casos em que relações com grande diferença de idade se sustentam de forma realmente saudável ao longo do tempo. Quando a mulher é significativamente mais nova, ela frequentemente se torna refém da relação, não apenas financeiramente ou socialmente, mas subjetivamente. O vínculo costuma operar mais no registro da dependência do que do encontro entre dois sujeitos. É recorrente que essas mulheres, quando mais jovens, estejam em busca de uma função paterna. Muitas relatam ausência do pai, relações paternas falhas ou marcadas por violência, negligência ou abandono. Em vários processos terapêuticos, à medida que o trabalho avança, emergem também histórias de abuso na infância, o que complexifica ainda mais essa escolha amorosa. O parceiro mais velho ocupa, então, um lugar que mistura cuidado, autoridade e poder, dificultando a construção de um vínculo horizontal.
Quando a mulher é a parte mais velha da relação, observo que há, em alguns casos, maior possibilidade de sustentação, justamente porque a posição subjetiva tende a ser menos dependente. Ainda assim, não se trata da idade em si, mas da função que cada um ocupa no laço. Essas repetições clínicas nos convidam a questionar o discurso social que romantiza a diferença de idade como sinal de maturidade emocional. Muitas vezes, o que aparece como “maturidade” encobre histórias de carência, trauma e tentativas inconscientes de reparação que, em vez de curar, tendem a se repetir no sofrimento. Na minha prática clínica, relações com grande diferença de idade aparecem, em sua maioria, como profundamente problemáticas. Não falo a partir de uma posição moral, mas da repetição estrutural que se apresenta nos casos. Muitas dessas relações se iniciaram quando a mulher ainda era menor de idade e o homem já era adulto, em alguns casos com diferenças extremas, como homens de 20 ou 21 anos envolvidos com meninas de 12 ou 13 anos. O fato de isso ainda ocorrer na atualidade é algo que, enquanto clínica, me assusta. Essa origem já marca a relação por uma assimetria difícil de ser elaborada ao longo do tempo. Há um desequilíbrio de poder, de maturidade psíquica e de lugar simbólico que tende a se cristalizar. Isso ajuda a compreender por que esses vínculos costumam ser tão difíceis, conflituosos e, na maioria das vezes, adoecedores. Na clínica, são raros os casos em que relações com grande diferença de idade se sustentam de forma realmente saudável ao longo do tempo. Quando a mulher é significativamente mais nova, ela frequentemente se torna refém da relação, não apenas financeiramente ou socialmente, mas subjetivamente. O vínculo costuma operar mais no registro da dependência do que do encontro entre dois sujeitos. É recorrente que essas mulheres, quando mais jovens, estejam em busca de uma função paterna. Muitas relatam ausência do pai, relações paternas falhas ou marcadas por violência, negligência ou abandono. Em vários processos terapêuticos, à medida que o trabalho avança, emergem também histórias de abuso na infância, o que complexifica ainda mais essa escolha amorosa. O parceiro mais velho ocupa, então, um lugar que mistura cuidado, autoridade e poder, dificultando a construção de um vínculo horizontal. Quando a mulher é a parte mais velha da relação, observo que há, em alguns casos, maior possibilidade de sustentação, justamente porque a posição subjetiva tende a ser menos dependente. Ainda assim, não se trata da idade em si, mas da função que cada um ocupa no laço. Essas repetições clínicas nos convidam a questionar o discurso social que romantiza a diferença de idade como sinal de maturidade emocional. Muitas vezes, o que aparece como “maturidade” encobre histórias de carência, trauma e tentativas inconscientes de reparação que, em vez de curar, tendem a se repetir no sofrimento.