Você dá conta de tudo, mas está exausta? 3 impactos da ansiedade silenciosa em mulheres funcionais

Artigo | Autocuidado

       A ansiedade funcional caracteriza-se pela manutenção do desempenho cotidiano mesmo diante de sofrimento psíquico significativo. Em mulheres, esse padrão está frequentemente associado à autocobrança elevada, perfeccionismo e dificuldade de reconhecer limites internos. Embora socialmente valorizado, esse funcionamento pode ocultar prejuízos importantes à saúde mental. Conforme descreve Judith Beck (2021), padrões cognitivos rígidos contribuem para a manutenção de estados ansiosos persistentes.

     Um dos principais domínios afetados é a regulação emocional. Mulheres ansiosas funcionais tendem a suprimir emoções como estratégia de adaptação, o que, a longo prazo, intensifica o sofrimento psíquico. Segundo Lidia Weber (2019), a dificuldade em reconhecer e expressar emoções está diretamente relacionada ao aumento de sintomas ansiosos.

      Outro impacto significativo ocorre nas relações interpessoais. A necessidade constante de corresponder às expectativas e evitar falhas favorece padrões de hiperresponsabilidade e dificuldade em estabelecer limites. De acordo com Marilda Lipp (2003), o estresse crônico decorrente dessas exigências pode comprometer a qualidade dos vínculos e o bem-estar emocional.

       Por fim, observa-se prejuízo na autoimagem. Mesmo com desempenho elevado, essas mulheres frequentemente mantêm crenças de insuficiência e inadequação. A Terapia Cognitivo-Comportamental aponta que tais crenças centrais sustentam ciclos de autocrítica e ansiedade.

       Assim, compreender que o funcionamento externo não reflete necessariamente equilíbrio interno é essencial. A psicoterapia oferece estratégias para regulação emocional, reestruturação cognitiva e construção de uma relação mais saudável consigo mesma.


Referências para leitura:

BECK, Judith S. Terapia cognitivo-comportamental: teoria e prática. 3. ed. Porto Alegre: Artmed, 2021.

WEBER, Lidia Natalia Dobrianskyj. Eduque com carinho. Curitiba: Juruá, 2019.

LIPP, Marilda Emmanuel Novaes. Controle do estresse. Campinas: Papirus, 2003.