Cómo iniciar una sesión de terapia sin caer en charla superficial y lograr cambios reales

Eu sempre digo para os meus colegas: olha, talvez não seja a melhor ideia começar a sessão com o cliente perguntando “Tudo bem?” ou, pior ainda, “Como foi sua semana?”. Claro, às vezes eu mesma faço isso no corredor, só como uma cortesia social. Mas quando nos sentamos para trabalhar de verdade, essa pergunta pode, sem querer, levar a conversa toda para o lado de contar histórias do cotidiano. E contar histórias, por mais agradável que seja, raramente leva a mudanças profundas. Falar apenas sobre os acontecimentos da semana ou sobre o estado de humor do dia não é a mesma coisa que mexer no que realmente dói e precisa de cuidado.

Então surge a dúvida crucial: como usar esses primeiros minutos para já entrar no clima de um trabalho sério e que faz diferença? Como mostrar para o cliente que aquele espaço não é apenas para um bate-papo, mas um lugar onde podemos, juntos, transformar algo importante?

Muitos clientes buscam direção, não apenas acolhimento

Já ouvi isso de várias pessoas que chegaram até mim depois de passarem por outros profissionais. Elas diziam: “Ele era super gentil, escutava com atenção, balançava a cabeça, às vezes repetia o que eu falava. Mas eu nunca entendi para onde a gente estava indo. Me faltava a sensação de que algo estava realmente acontecendo”. Essas palavras sempre me tocam fundo, pois revelam um desejo que vai além de ser ouvido (o que já é essencial): o desejo de sentir movimento, progresso e transformação.

Infelizmente, muitas sessões acabam ficando nesse fluxo solto: os assuntos mudam, as histórias se repetem e, no final, é difícil dizer o que de fato foi conquistado. Algumas abordagens — como a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) ou a Terapia Focada em Soluções — estão mais protegidas desse “vaguear”, pois o foco estrutural já vem embutido no modelo. No entanto, elas costumam trabalhar mais com as camadas conscientes e comportamentais. Eu sempre me senti mais atraída pelos enfoques profundos e experienciais, que alcançam a pessoa inteira. E é exatamente aí que manter o foco se torna mais desafiador — e absolutamente necessário.

O foco é como uma lanterna no escuro do mundo interno

Quando mergulhamos fundo na psique, é fácil se perder. O mundo interno é complexo e cheio de camadas. Sem um rumo claro, podemos tocar em muitos pontos, mas em nenhum com profundidade suficiente para gerar reconsolidação ou mudança. Eu gosto de comparar a atenção terapêutica com uma lanterna: ela ilumina, mas se ficamos girando o facho de luz para todos os lados freneticamente, não enxergamos nada de verdade. O foco terapêutico é a arte de direcionar essa lanterna para um lugar só e mantê-la ali o tempo que for preciso para que algo mude.

Aqui vale uma máxima essencial: devagar é que é rápido. Se não permanecermos tempo suficiente em um único ponto, o trabalho profundo simplesmente não acontece.

Por onde começar: o sintoma como farol

O único ponto de partida confiável é aquilo que o cliente traz: o sintoma ou a queixa principal. É o que ele já percebe, o que mais o incomoda no momento. Não ficamos presos ao sintoma para sempre, como em abordagens que ensinam apenas o manejo ou controle dele. Usamos o sintoma como uma sinalização: aqui tem algo mais profundo pedindo atenção.

Os clientes costumam nomear suas dificuldades com termos gerais como “ansiedade”, “perfeccionismo” ou “dificuldade em colocar limites”. Mas esses rótulos são genéricos e pessoais demais. Por isso, dedico os primeiros 10 a 15 minutos para esclarecer o cenário:

  • Como isso aparece exatamente na sua vivência?
  • O que você sente no corpo ou o que faz quando o problema está no auge?
  • Em quais situações específicas isso acontece? Com quem?

Isso ajuda a dupla terapêutica a enxergar o quadro com clareza. Assim, firmamos uma espécie de contrato: é nisso que vamos focar hoje e no processo como um todo. E é vital voltar a esse acordo no começo de cada sessão, mesmo que o tema seja o mesmo, para evitar escorregar para o desabafo sem intenção.

Tem que ser um problema do cliente, não dos outros

Às vezes as pessoas chegam carregando a dor dos relacionamentos, dizendo coisas como: “Meu marido é tão complicado” ou “Minha esposa vive me criticando”. Eu sempre começo escutando e validando — o vínculo é fundamental. Mas depois, com cuidado, redireciono para a responsabilidade pessoal: e na sua reação, o que você gostaria de mudar?

Talvez você absorva o mau humor do outro? Tenha dificuldade de não levar a crítica para o lado pessoal? Não consiga pedir o que precisa? Ou fique se perguntando por que continua em relações que considera tóxicas? Só podemos mudar a nós mesmos. E é exatamente ao trazer o foco para dentro que se abre espaço para um trabalho interno de verdade.

Um exemplo vivo é a chave para a profundidade

Quando já temos um tema claro, peço para o cliente lembrar um episódio recente ou especialmente marcante. Convido-o a reviver a cena como se estivesse acontecendo agora: “Você está na mesa de trabalho, o chefe chega e pede para ficar até mais tarde. O que acontece dentro de você neste exato momento? Quais pensamentos surgem? Quais sensações aparecem no corpo?”

Essa técnica traz o momento à vida (hic et nunc). É como se parássemos o tempo e olhássemos devagar, com curiosidade. Isso permite ouvir a camada mais profunda — aquela que, na correria da vida real e no discurso racional, passa despercebida.

Às vezes, o melhor exemplo surge ali mesmo, na nossa interação, na transferência. De repente o cliente fica quieto, desvia o olhar, sente vergonha ou ansiedade. Podemos parar tudo e explorar: “Há pouco eu fiz uma pergunta e senti que algo mudou em você. O que você sentiu por dentro?”

Um modelo é necessário para não se perder

Quando já estamos em contato com o material vivo e emocional, o próximo passo depende da abordagem clínica escolhida. Cada modelo funciona como um mapa que ajuda a manter o rumo e não se dispersar:

  • Nos Sistemas Familiares Internos (IFS): Eu poderia dizer: “Tente se conectar com a parte que tem medo de dizer 'não' ao chefe. Pergunte a ela o que ela teme que aconteça se você impuser esse limite”.
  • Em abordagens focadas na emoção (como AEDP): “O que você sente fisicamente e emocionalmente em relação a ele(a) agora, enquanto me conta isso?”
  • Na Terapia da Coerência: “Complete a frase para acessarmos sua verdade emocional: ‘É melhor não dizer não, porque se eu disser…’”.

Manter o fio condutor entre as sessões

Na Terapia da Coerência, existe uma prática muito rica: no final da sessão, anotamos a descoberta principal (o esquema emocional ou a verdade pro-sintoma) num cartão, e o cliente relê aquilo algumas vezes até o próximo encontro. Isso ajuda a impedir que a descoberta se perca na amnésia do cotidiano. Eu nem sempre faço de forma tão estruturada, mas costumo lembrar o cliente:

“Na última vez chegamos até este ponto importante. Quer continuar daí? ou “Tem algo urgente que precisa de atenção hoje antes de voltarmos ao ponto anterior?”. Assim respeitamos tanto a emergência do novo quanto a continuidade do que já foi iniciado.

Quando a lentidão e a clareza levam à liberdade

Tudo isso é sobre transformar os primeiros minutos da consulta em um convite para um trabalho profundo e significativo. O objetivo é que o cliente sinta: aqui não é só conversa, aqui a gente caminha junto para se libertar do que dói há tanto tempo. E quando esse enquadre dá certo, eu sempre me surpreendo com o quanto coisas simples — esclarecer o foco, trazer um exemplo vivo, permanecer pacientemente num só lugar — podem abrir portas para mudanças reais e duradouras.

Literatura Recomendada

  • Schwartz, Richard C. Não Há Partes Ruins: Curando Traumas e Restaurando a Plenitude com o Modelo de Sistemas Familiares Internos. (Obra que detalha o modelo de IFS e o trabalho com as partes da personalidade).
  • Fosha, Diana. O Poder Transformador do Afeto: Um Modelo para Mudança Acelerada. (Livro fundamental da AEDP, destacando a neuroplasticidade e o trabalho com emoções).
  • Ecker, Bruce; Ticic, Robin; Hulley, Laurel. Unlocking the Emotional Brain: Eliminating Symptoms at Their Roots Using Memory Reconsolidation. New York: Routledge, 2012. (Texto base sobre a Terapia da Coerência e a reconsolidação da memória).
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