“Quando a mente não desliga: entendendo a ansiedade no dia a dia”

Artigo | Emoções

Você já deitou para dormir e percebeu que seu corpo estava cansado, mas sua mente continuava funcionando?

Pensamentos sobre o que aconteceu durante o dia, preocupações com o amanhã, contas, trabalho, relacionamentos, decisões que precisam ser tomadas e até situações que talvez nunca aconteçam.

Quanto mais tentamos parar de pensar, mais pensamentos parecem surgir.

A ansiedade pode aparecer justamente assim: como uma tentativa constante de antecipar aquilo que ainda não aconteceu.

Sentir ansiedade é sempre um problema?

Não.

A ansiedade faz parte da experiência humana. Em determinadas situações, ela nos ajuda a perceber riscos, nos preparar para desafios e reagir diante de acontecimentos importantes.

É natural sentir ansiedade antes de uma entrevista de emprego, uma prova, uma mudança importante ou uma conversa difícil.

A questão começa a merecer mais atenção quando a preocupação se torna frequente, difícil de controlar e passa a interferir na rotina.

A pessoa pode estar vivendo o presente enquanto sua mente está constantemente tentando resolver o futuro.

“E se alguma coisa der errado?”

Uma característica comum da ansiedade é a antecipação.

  • “E se eu não conseguir?”
  • “E se eu tomar a decisão errada?”
  • “E se as pessoas não gostarem de mim?”
  • “E se alguma coisa acontecer?”

O problema é que nossa mente consegue criar inúmeras possibilidades para situações que ainda nem aconteceram.

E o corpo pode responder a esses pensamentos como se o perigo já estivesse acontecendo.

Podem aparecer tensão muscular, coração acelerado, dificuldade para dormir, irritabilidade, cansaço, dificuldade de concentração ou uma sensação constante de inquietação.

Cada pessoa, porém, pode experimentar a ansiedade de uma maneira diferente.

A necessidade de controlar tudo

Quando estamos ansiosos, podemos tentar encontrar segurança controlando o máximo possível.

Planejamos, conferimos, pensamos novamente, imaginamos diferentes cenários e procuramos garantias de que tudo ficará bem.

Mas existem partes da vida que não conseguimos controlar.

Reconhecer isso não significa desistir de nossas responsabilidades. Significa compreender a diferença entre aquilo que podemos fazer no presente e aquilo que pertence às incertezas do futuro.

Às vezes, a pergunta não precisa ser “como posso controlar tudo o que vai acontecer?”, mas:

“O que eu consigo fazer hoje?”

O corpo também precisa ser ouvido

Ansiedade não acontece apenas nos pensamentos.

O corpo também fala.

Por isso, perceber como estamos respirando, respeitar momentos de descanso, cuidar do sono, realizar atividades físicas, organizar a rotina e criar pequenos momentos de pausa podem ajudar no cuidado emocional.

Não se trata de eliminar todos os pensamentos ou viver sem preocupações.

Trata-se de desenvolver uma relação diferente com aquilo que sentimos.

Você não precisa resolver toda a sua vida hoje

Vivemos em uma realidade que frequentemente nos cobra respostas rápidas.

Precisamos saber o que queremos, para onde vamos, qual decisão tomar e o que acontecerá depois.

Mas nem todas as respostas aparecem imediatamente.

Algumas são construídas enquanto caminhamos.

Permitir-se não saber tudo também pode fazer parte de uma relação mais saudável com nossas próprias emoções.

Quando procurar ajuda psicológica?

Quando a ansiedade começa a afetar o sono, os relacionamentos, o trabalho, os estudos, a alimentação ou a capacidade de realizar atividades do cotidiano, pode ser importante buscar acompanhamento profissional.

A psicoterapia oferece um espaço para compreender o que está por trás dessas preocupações e como cada pessoa se relaciona com seus medos, expectativas e necessidades.

Na abordagem Humanista, não olhamos apenas para um sintoma isolado. Buscamos compreender a pessoa, sua história, suas relações, seu momento de vida e a maneira como ela experimenta aquilo que está acontecendo.

Nem sempre precisamos aprender simplesmente a “parar de pensar”.

Talvez seja necessário começar a compreender por que alguns pensamentos ocupam tanto espaço dentro de nós.

E, algumas vezes, quando conseguimos compreender melhor aquilo que sentimos, a mente finalmente encontra um pouco mais de espaço para descansar.