Quando a vida muda: como lidar emocionalmente com os recomeços

Artigo | Vida

Recomeçar nem sempre significa começar do zero. Muitas vezes, significa continuar levando conosco experiências, lembranças, aprendizados e também algumas inseguranças.

Uma mudança de cidade, o fim de um relacionamento, um novo trabalho, a saída da casa dos pais, uma mudança de país ou simplesmente uma nova fase da vida podem despertar sentimentos que parecem contraditórios. Podemos estar felizes com uma escolha e, ao mesmo tempo, sentir medo. Podemos desejar uma mudança e ainda sentir saudade daquilo que deixamos para trás.

Isso acontece porque toda mudança envolve, de alguma maneira, deixar algo conhecido.

Por que mudar pode ser tão difícil?

O conhecido costuma trazer uma sensação de segurança. Temos nossos hábitos, pessoas de referência, lugares familiares e uma rotina que sabemos como funciona. Quando alguma coisa importante muda, precisamos construir novas referências.

Nesse processo podem aparecer ansiedade, insegurança, medo, solidão, saudade e dúvidas sobre as decisões tomadas.

Nem sempre esses sentimentos significam que fizemos uma escolha errada. Eles também podem fazer parte do processo de adaptação a uma nova realidade.

É importante permitir-se viver esse período sem a obrigação de estar bem o tempo inteiro.

Não precisamos abandonar nossa história para recomeçar

Existe uma ideia de que recomeçar significa esquecer o passado e construir uma pessoa completamente nova. Mas não precisamos apagar nossa história para seguir em frente.

Somos também aquilo que vivemos.

As experiências anteriores podem nos ajudar a reconhecer nossos limites, necessidades, desejos e capacidades. Algumas lembranças continuarão conosco e outras ganharão novos significados ao longo do tempo.

O recomeço pode ser entendido não como uma ruptura completa com quem fomos, mas como uma oportunidade de descobrir outras possibilidades de quem podemos ser.

Respeitar o próprio tempo

Cada pessoa possui seu ritmo de adaptação.

Comparar nosso processo com o de outras pessoas pode aumentar a sensação de que estamos atrasados ou fazendo algo errado. Algumas pessoas constroem novos vínculos rapidamente. Outras precisam de mais tempo para se sentir pertencentes a um novo lugar ou confortáveis em uma nova fase.

Não existe uma única maneira correta de passar por uma mudança.

Pequenas atitudes podem ajudar:

  • construir uma rotina possível,
  • manter contato com pessoas importantes,
  • conhecer novos ambientes,
  • realizar atividades que tragam sentido e
  • reconhecer pequenas conquistas do cotidiano.

Quando procurar ajuda?

Existem momentos em que lidar sozinho com tantas mudanças pode se tornar difícil.

Quando sentimentos como ansiedade, tristeza, solidão ou medo começam a interferir significativamente na rotina, nos relacionamentos, no trabalho ou na qualidade de vida, buscar acompanhamento psicológico pode ser uma possibilidade de cuidado.

A psicoterapia oferece um espaço para falar sobre aquilo que estamos vivendo, compreender sentimentos e perceber necessidades que muitas vezes ficam escondidas no meio das preocupações do dia a dia.

Na abordagem Humanista, cada pessoa é compreendida a partir de sua própria experiência, história e maneira de estar no mundo. O processo terapêutico não consiste em entregar respostas prontas, mas em construir um espaço de escuta e compreensão no qual novos caminhos possam ser percebidos.

Recomeçar pode assustar. Pode trazer dúvidas, saudades e incertezas. Mas também pode nos colocar diante de partes de nós mesmos que ainda não conhecíamos.

Talvez um recomeço não precise significar deixar uma vida para trás.

Talvez possa significar aprender a continuar, de uma maneira diferente.