A mente não cria significado. A mente é o significado.

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Essa frase da Harlene Anderson, me atravessa bastante: “A mente não cria significado. A mente é o significado.”

Costumamos imaginar a mente como um lugar dentro da gente. Quase como uma sala interna onde pensamentos nascem, são organizados, depois saem prontos. Mas nessa perspectiva, isso não se sustenta muito.

O que Harlene nos convida a fazer é suspender a certeza de um “dentro” separado. Afinal, o significado não nasce isolado na cabeça de alguém. Ele acontece na relação, na conversa, na linguagem, nos encontros com outras pessoas e nos contextos que habitamos.

Isso desloca um pouco o que costumamos chamar de autoconhecimento. Em vez de encontrar algo que estaria escondido dentro de si, passa a dizer respeito às formas de linguagem que nos constituem ao longo da vida.

  • O jeito como alguém fala de você;
  • O jeito como você aprendeu a falar de si;
  • As histórias que foram sendo repetidas;
  • As palavras que foram ficando possíveis ou impossíveis de dizer…

Tudo isso vai organizando aquilo que entendemos como “eu”. Não como algo fixo, mas como algo que vai sendo produzido nesse entre.

Essa perspectiva também produz um impacto importante na clínica, ao pensar o lugar do terapeuta. Não é quem acessa uma verdade interna do paciente, ou que interpreta o que “realmente está por trás”, é a pessoa que participa da criação de um espaço de linguagem.

Um espaço onde outras formas de dizer sobre si possam aparecer.

Às vezes, a pessoa chega com uma única forma de se descrever… muito fechada, muito estreita. E, aos poucos, na conversa, outras palavras começam a surgir. Outras formas de narrar a própria experiência. Outras possibilidades de sentido.

E isso me faz pensar numa pergunta que que acompanha minha prática: como terapeuta, em que medida contribuo para que outras narrativas sobre si possam emergir?

Conhecer a si pode ser algo alternativo à encontrar uma verdade interna pronta. Pode dizer sobre participar continuamente da construção de quem nos tornamos, nas conversas que sustentamos, nas relações que habitamos e nos significados que produzimos junto aos outros.