Quando eu te escuto, não significa que eu concordo.
Muita gente associa escuta à concordância. Como se compreender uma experiência fosse o mesmo que dizer que ela está certa. Mas são coisas são diferentes.
Quando alguém chega dizendo:
- "Meu chefe me odeia."
- "Minha mãe nunca se importou comigo."
- "A culpa foi toda minha."
Meu primeiro compromisso não é confirmar nem corrigir essa afirmação, entender como ela foi construída. Que experiências sustentam essa leitura? O que ela organiza, protege ou impede de enxergar?
Uma pessoa dificilmente consegue revisar uma narrativa enquanto sente que precisa defendê-la o tempo todo…A escuta cria esse espaço, enquanto que a concordância encerra a conversa antes que ela possa ser explorada.
E isso vale para a clínica, mas também para a vida.
Às vezes, o maior gesto de respeito que podemos oferecer a alguém é manter a curiosidade sobre a história dela, antes de decidir se concordamos ou não.
Você já confundiu ser escutado com ter razão? Ou já sentiu que alguém discordou de você antes mesmo de tentar entender sua história?