Psicose em Shellder-Psicanalista: Uma Análise Freudiana – Parte 1: Ego x Inconsciente

Artigo | Transtorno mental

Psicose na Esquizofrenia e no Transtorno afetivo bipolar na visão Freudiana PARTE 1-EGO X INCONSCIENTE-INIMIGO 1-CENSURA

Por Shellder Feitosa De Sousa

Psicanalista Clínico

Resumo

Sobre o olhar da psicanálise Freudiana,esse artigo foi desenvolvido com um olhar psicoteórico sobre a psicose no transtorno bipolar e esquizofrenia. Tem como ponto principal auxiliar estudiosos da psicopatologia a entender sobre o desenvolvimento e o método de enfrentamento pessoal do transtorno psíquico.

Palavras-chave: Psicose,esquizofrenia,transtorno bipolar

Introdução

De acordo com meus estudos e experiência pessoal já que sou portador da esquizofrenia desenvolvi um diário que ainda está em desenvolvimento sobre o enfrentamento da psicose.

Portanto trata-se de um estudo e análise pessoal onde através da abordagem freudiana estou desenvolvendo um projeto com objetivo de fortalecer e como estratégia de enfrentamento das crises psicóticas controlar os processos da mente através de um diário de emoções baseado nas citações de Freud.

PARTE 1-Ego X Inconsciente-Inimigo 1-A CENSURA

Conforme a teoria do inconsciente de Freud “ele é a parte que abriga os desejos não realizados e os traumas ocultos”,se manifestando por sonhos,por atos falhos,lapsos de memória e esquecimento,entretanto a voz do inconsciente não descansa até ser ouvida e ele na psicose é incontrolável.

Na psicose o insconciente se torna uma realidade psíquica,levando em conta que as alucinações auditivas de acordo com minha própria autoanálise são impulsos repressores(fragmentos incompatíveis com eu) do inconsciente no id,gerando distúrbios no próprio id,fragmentação ego e excesso de autocontrole dos sentimentos do superego(principalmente se ele for impositivo de julgador-severo).

Partimos do princípio que a psicose adoece ego e do ponto de vista médico existe uma psicopatologia,temos como objetivo principal o fortalecimento do ego,que para Freud ele(ego) tem uma parte no inconsciente e para mim como experiência própria o ego exerce influência sobre o inconsciente.

Importante salientar queridos leitores é que com cada descoberta no campo da psicopatologia em especial as psicoses,neuroses,perversão e paranóia existirá sempre um novo enigma para desvendar,já que cada estratégia de enfrentamento que eu desenvolvia através de leitura,aprendizado,vivência e educação da mente eu me encontrava diante de um novo desafio,pois “o pensamento é o ensaio da ação” e e nos transtornos psíquicos ele se tornam seu pior inimigo,seu melhor amigo ou às vezes um pouco dos dois.São,como prefiro encarar,aventuras diárias,onde existem novas descobertas e nos desafios a se enfrentar diante da psicoeducação.

Minha primeira estratégia foi transformar o ego em objeto,pois o inconsciente como minha realidade psíquica estava se opondo ao ego e como os próprios manuais como a DSM 5 explica que os transtorno psicóticos fazem com que o ego perca o sentido do real,falo aqui da realidade concreta.Transformando o ego em objeto(que para Freud é o mediador,e também faz parte,do id e do superego)vi que todos tem histórias passadas,separei assim o ego das alucinações através da racionalização.

Descobri em mim um ego fraco,possuidor de um distúrbio psicogênico que flutuava entre as minhas funções de autopreservação,prazer,desprazer e repressão.Utilizei a técnica de vinculação,descobrindo assim em mim o narcisismo primário,que para Freud é o investimento da libido(que nada tem haver com o genital,mas com a energia psíquica trazida pela pulsão no próprio ser em essência),ou seja o famoso “amor próprio”,tomando o cuidado de não desenvolver o processo patológico do narcismo secundário,onde desenvolvia normalmente minha habilidade social de relacionamento no trabalho e com amigos,mesmo diante de uma luta interna.

Quero deixar claro aqui amigos leitores,todos temos um pouco de Narcisismo que transita entre o primário e o secundário,em algum momento.O segredo:Ter equilíbrio e estar consciente.

Trazendo meu inconsciente(parte) para o consciente através da “auto-observação” me tornando espectador de mim mesmo,encontrei e ainda me encontro com o primeiro inimigo “a censura” o que me levou a acreditar que eu deveria e é um processo constante o desenvolvimento da confiança,já que parte das minhas alucinações e delírios são compostos por autocensuras dos traumas da infância no inconsciente,era algo a parte do restante do meu ego,no id.

Como se tratava de uma crise,através de uma racionalização fortaleci as qualidades da consciência através de um teste de realidade e autocrítica.

CONCLUSÃO-PARTE 1

Todos os psicanalista já sabem,os distúrbios psicogênicos de um ego fraco tem como sintoma a obsessão por práticas religiosas(neurose obsessivas ou neuropsicose de defesa),o que digo aqui ser uma boa alternativa de fuga,já que o próprio Freud nos diz que precisamos como forma de encaro de uma realidade difícil como a da psicose um mecanismo de fuga.A leitura da bíblia e de textos religiosos acalmam as alucinações e fortalecem o processo de consciência,ou seja,a fé mexe com o inconsciente.

Freud vê a religião como método de validação e controle de massas,que para os psicóticos podem ser muito útil,tomando cuidado queridos leitores de não caírem,o que é muito comum na paranóia,neurose(conflitos psíquicos do inconsciente) e na histeria(sintomas psicomáticos no corpo e na mente fazendo com que o ego se identifique com a fonte e acharmos que o mundo gira ao nosso redor).

Saibam queridos companheiros que não tiveram como um eu o desenvolvimento do método de enfrentamento através da formação psicanalítica e análise pessoal,ter desenvolvido estratégias de enfrentamentos,saibam que vocês vão encontrar mim um companheiro de viagem,que juntos através de nossas sessões e da minha experiência viva juntos enfrentar nossa pior e melhor amiga,a nossa mente.

“Nós somos nosso pior inimigo” e a melhor maneira de enfrentar isso é encarar de frente e aceitar que estamos diante de uma zona de guerra onde todos nossos pensamentos agem contra e a favor da gente ao mesmo tempo.

O objetivo não é curar você ou psicologizá-los meus queridos leitores,mas sim mostrar caminho,dar sentido,transformar numa busca por autoconhecimento,pois quem escolhe a busca,não pode negar a travessia.

BIBLIOGRAFIA

FREUD,Frases célebres e Obra completa

Meu diário